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Torrefação/Preparação


TORRA

 

Os grãos de café verde não têm sabor nem aroma próprios, não passando de uma pálida sombra verde dos grãos marrons-escuros em que irão se transformar.  Na torra é que se forma todo o sabor e o aroma que apreciamos no café.

Os grãos são aquecidos a uma temperatura de 180ºC a 240ºC por 8 a 15  minutos, conforme o grau de torra que se deseja obter.  Quanto mais tempo se demora, mais escuro o café resultante.  Durante o processo, os grãos perdem umidade, produzindo "estalidos" como a pipoca.  Uma reação química acontece: os amidos se convertem em açúcar, as proteínas se decompõem, e toda a estrutura celular do grão se altera.  O calor precipita a liberação do óleo de café – o chamado "cafeol", que é a essência do café.

Esta essência é o que degustamos na xícara.  É também volátil e solúvel em água.  Por isso, depois da torra dos grãos, que se tornam escuros, o sabor do café pode se deteriorar com a umidade, a luz e, sobretudo, o oxigênio.

A torra é um pouco arte, um pouco ciência e em grande parte capacidade de avaliar.  Tem de ser aprendida.  Calor excessivo, e os grãos se tornam escuros demais e demasiado cafeol se queima; calor insuficiente, e o cafeol não se solta.  Em quantidades industriais, o processo é controlado cuidadosamente, mas em quantidades menores, só se pode contar com a capacidade de avaliar a torra.  Quanto mais escura a torra, mais uniforme o sabor resultante.

A torra pode ser clara/leve, média e escura.  Nos EUA diversos outros termos são usados – como, por exemplo, “européia”.  Alguns grãos são mais apropriados para certos graus de torra.  Um grão de torra leve da Etiópia perde suas características se for torrado até escurecer, mas alguns grãos mexicanos podem se beneficiar quando torrados até adquirir cor mais escura.

PREPARO

Light roast
Medium roast 
Dark roast 

Não há uma única melhor maneira de fazer café: cada pessoa tem seu método preferido.  O café é parte de nosso dia-a-dia e precisa antes de mais nada condizer com nosso estilo de vida e nosso bolso.  Fazer café tanto é um ritual como uma atividade prática de nosso quotidiano.  Ao contrário de bebidas como o chá e o chocolate, ele se presta facilmente a muitos métodos de preparo.  Em todos eles, o princípio básico consiste no uso de água quente para extrair dos grãos moídos os óleos essenciais naturais que dão ao café seu aroma e sabor maravilhosos.  A infusão ou licor resultante é a bebida do café.

CAFÉ ÁRABE OU TURCO

Embora o café tenha se propagado da Arábia para o resto do mundo, o mesmo não ocorreu com o preparo do café em estilo árabe.  Há uma diferença fundamental entre o sistema árabe e os demais: tradicionalmente, os árabes fervem seu café três vezes.  Desta forma os sabores mais delicados se perdem, mas este é um método tradicional de preparar cafés fortes.  O café árabe é feito num ibriq, uma pequena cafeteira de cobre, de cabo longo. Duas colheres de chá de café moído fino e uma colher de açúcar são misturadas a uma xícara de água, e a mistura é levada à fervura.  O ibriq é retirado do calor quando o café começa a ferver, em geral três vezes, e então servido e tomado.  Uma semente de cardamomo também pode ser usada, para acrescentar sabor.

SISTEMA DE FILTRO

O sistema de filtro talvez seja o que mais se usa hoje.  Coloca-se pó de café fino numa unidade cônica, de papel ou reutilizável, e despeja-se água quase fervendo sobre o pó.  Para obter melhores resultados, aconselha-se despejar um pouco de água no pó, pois isso acelera a liberação do cafeol.  A infusão resultante goteja do filtro para uma jarra ou caneca, já pronta para beber.  O pó de café fica no cone. Há versões elétricas que automatizam este processo, inclusive aquecendo a água e produzindo café melhor e mais uniforme que o produzido na versão manual.  O sistema de filtro é usado principalmente na Alemanha e nos EUA.

CAFETEIRA DE ÊMBOLO

O sistema de êmbolo, que se diz ter sido inventado em 1933, extrai a maior quantidade de sabor dos grãos moídos. Aquece-se a jarra, coloca-se pó de café grosso no fundo, adiciona-se água quente ao pó e mexe-se.  Deixa-se descansar de três a cinco minutos, antes de pressionar o êmbolo para separar o pó de café da infusão.  Um pouco menos conveniente que o sistema de filtro, este é hoje um dos dois métodos de fazer café fresco que mais se propaga.  Há modelos mais baratos da cafeteira, em que a retícula que separa o pó da parte líquida é de náilon, e não de aço inoxidável, mas esses modelos não duram muito.

JARRA

Fazer café em uma jarra é o mais simples de todos os métodos.  Usa-se pó de café bastante grosso e adiciona‑se água quente.  Este sistema é semelhante ao da cafeteira de êmbolo, mas sem a conveniência do êmbolo para separar o pó da infusão.  Sua utilização hoje já não é grande, mas ele pode ser útil como recurso temporário.

ESPRESSO E CAPPUCCINO

Os métodos do espresso e do cappuccino, inventados na Itália, são hoje os que se difundem com maior rapidez.  Todos os outros envolvem uma infusão “natural” e podem produzir uma bebida aceitável e de baixo custo.  Isso não ocorre com o espresso.  As máquinas de espresso forçam água quente através de pó muito fino compactado, depositando a bebida em xícaras individuais.  Um bom espresso custa caro, pois, para extrair a maior quantidade de sabor do pó de café, precisa-se de alta pressão de água e de máquinas de alta especificação.  Ao fazer o espresso, porém, é importante não extrair café demais – ou seja, é preciso desligar a máquina mais cedo em vez de mais tarde.  O café está perfeito enquanto sua cor, ao sair da máquina, é marrom dourado.  A “espuma” sobre o topo do café preto também é marrom dourada.  Ela desaparece em alguns minutos, mas durante esses minutos, revela de forma inequívoca a qualidade do espresso.  Espuma demasiado leve, espessa ou fina indica espresso de qualidade inferior.  Para alguns, o espresso pode se tornar uma espécie de religião.  E sem dúvida há uma grande diferença entre um bom espresso e outro não muito bom.  Nosso estilo de vida e nossas escolhas individuais são o que determina quanto dinheiro ou energia gastamos na busca do melhor.

O espresso é a base do cappuccino.  É o café no qual se despeja leite em espuma, numa estrutura luxuriante.  Um bom espresso é menos óbvio sob essa coroa de espuma, mas a qualidade do café utilizado continua a ser um fator importante. Despeja-se o leite – em condições ideais, semidesnatado – numa jarra, e nesta se introduz um bico de vapor.  Não se deve ligar o vapor até que o bico esteja sob a superfície líquida.  Quando o leite está gorgolejando e formando bolhas, deve-se movimentar a jarra em círculos, para que ele não se estrague.  O propósito é aerar o leite, dando-lhe a consistência de creme chantilly sem queimá-lo.  Ao despejar-se o leite, é essencial que as xícaras estejam quentes, do contrário a espuma perde corpo.  Normalmente as xícaras são guardadas de boca para baixo sobre a máquina de espresso.  A espuma de leite quente construída com vapor é então despejada e arranjada na xícara, suavemente, para formar a coroa.  Pequenas quantidades de leite que sobraram também são acrescentadas.  Com isso se obtém um cappuccino perfeito.

A MOKA NAPOLITANA

Não há lares na Itália que não possuam uma ou mais cafeteiras moka de tamanhos variados.  O visual dessas cafeteiras duplas de topo de fogão é inegavelmente atraente, seja qual for a opinião que se tem do café.  Seu design é maravilhoso, e elas produzem café que combina as características do espresso e do café de percolador, forçando a água que ferve no compartimento de baixo a subir por um tubo.  A água então desce, passando por café de moagem fina.  Utilizadas com perícia, essas cafeteiras em menos de um minuto produzem um café muito aceitável, semelhante ao espresso, que pode matar a vontade de tomar café.

O PERCOLADOR

O percolador de café exerceu uma influência civilizadora no oeste selvagem dos EUA.  Usado em todo o país, ele foi uma presença constante na maioria dos lares até a recente 'revolução’ do café.  O percolador aquece café moído grosso e água fria, fazendo-os ferver e borbulhar no topo da unidade.  Esta é uma ótima maneira de se descontrair, ouvindo o café borbulhar e sentir seu aroma delicioso perfumando a casa inteira!  Talvez não haja melhor maneira de fazer café para tomar na hora!

CAFÉ SOLÚVEL OU INSTANTÂNEO

O primeiro café solúvel "instantâneo" foi inventado em 1901 pelo químico nipo-americano Satori Kato, de Chicago, mas o primeiro solúvel só foi colocado no mercado em 1938, com o lançamento do Nescafé.  A qualidade e diversidade do café instantâneo aumentaram exponencialmente ao longo dos anos, e os produtos de hoje podem nos oferecer uma boa bebida.  O café instantâneo tem diversas vantagens em relação ao feito na hora, entre as quais sua facilidade e conveniência.  Ele se mantém fresco mais tempo e seu sabor não se altera com facilidade, por mais que se tente.  Acima de tudo, ele é rápido, barato e limpo.  Como qualquer outro tipo de café, o café instantâneo é fabricado a partir do café em grão.  Numa primeira etapa, prepara-se um concentrado de café do qual a água é removida por aquecimento, atomização ou liofilização, para produzir pó ou grânulos solúveis.  As essências do café podem perder-se na desidratação, mas são captadas e devolvidas ao café processado.

CAFÉS COM SABORES

Uma área interessante e de crescimento rápido do mercado é a dos cafés com adição de sabor.  Hoje há mais de 100 diferentes variedades com sabores.  Os conhecedores de café podem reprovar a idéia de estragar o sabor de uma bebida para eles sagrada, mas não há dúvida de que, em certos momentos, a adição de chocolate ou canela é o que se deve fazer.  O gosto do café é maravilhoso sozinho, mas pode também servir de base para muitos outros sabores.  Na verdade, a adição de sabores é um truque antigo.  No Oriente Médio, é tradicional pôr cardamomo no café, enquanto que no México o uso de canela no café é bastante comum há muitos anos. O aumento da popularidade dos cafés com sabores é prova da versatilidade e robustez do café.  Sabores são adicionados diretamente aos grãos durante a torra e, depois aplicados ao café pela pulverização de um veículo oleoso e um sabor específico.  A adição de um xarope ao café que se acaba de fazer é outro modo de conseguir uma xícara de café com sabor, que pode ser uma bebida ideal para o verão, quando servido frio ou gelado, com pedras de gelo ou gelo esmagado.  O leite é, de longe, o mais importante sabor que se adiciona ao café no mundo todo.  Ele não é usado no café árabe e os puristas tendem a não usá-lo, mas a maioria das pessoas acha que o leite torna o café mais saboroso.

 


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