
Não há uma única melhor maneira de fazer café: cada pessoa tem seu método preferido. O café é parte de nosso dia-a-dia e precisa antes de mais nada condizer com nosso estilo de vida e nosso bolso. Fazer café tanto é um ritual como uma atividade prática de nosso quotidiano. Ao contrário de bebidas como o chá e o chocolate, ele se presta facilmente a muitos métodos de preparo. Em todos eles, o princípio básico consiste no uso de água quente para extrair dos grãos moídos os óleos essenciais naturais que dão ao café seu aroma e sabor maravilhosos. A infusão ou licor resultante é a bebida do café.
CAFÉ ÁRABE OU TURCO
Embora o café tenha se propagado da Arábia para o resto do mundo, o mesmo não ocorreu com o preparo do café em estilo árabe. Há uma diferença fundamental entre o sistema árabe e os demais: tradicionalmente, os árabes fervem seu café três vezes. Desta forma os sabores mais delicados se perdem, mas este é um método tradicional de preparar cafés fortes. O café árabe é feito num ibriq, uma pequena cafeteira de cobre, de cabo longo.
Duas colheres de chá de café moído fino e uma colher de açúcar são misturadas a uma xícara de água, e a mistura é levada à fervura. O ibriq é retirado do calor quando o café começa a ferver, em geral três vezes, e então servido e tomado. Uma semente de cardamomo também pode ser usada, para acrescentar sabor.
SISTEMA DE FILTRO
O sistema de filtro talvez seja o que mais se usa hoje. Coloca-se pó de café fino numa unidade cônica, de papel ou reutilizável, e despeja-se água quase fervendo sobre o pó. Para obter melhores resultados, aconselha-se despejar um pouco de água no pó, pois isso acelera a liberação do cafeol. A infusão resultante goteja do filtro para uma jarra ou caneca, já pronta para beber. O pó de café fica no cone.
Há versões elétricas que automatizam este processo, inclusive aquecendo a água e produzindo café melhor e mais uniforme que o produzido na versão manual. O sistema de filtro é usado principalmente na Alemanha e nos EUA.
CAFETEIRA DE ÊMBOLO
O sistema de êmbolo, que se diz ter sido inventado em 1933, extrai a maior quantidade de sabor dos grãos moídos.
Aquece-se a jarra, coloca-se pó de café grosso no fundo, adiciona-se água quente ao pó e mexe-se.
Deixa-se descansar de três a cinco minutos, antes de pressionar o êmbolo para separar o pó de café da infusão. Um pouco menos conveniente que o sistema de filtro, este é hoje um dos dois métodos de fazer café fresco que mais se propaga. Há modelos mais baratos da cafeteira, em que a retícula que separa o pó da parte líquida é de náilon, e não de aço inoxidável, mas esses modelos não duram muito.
JARRA
Fazer café em uma jarra é o mais simples de todos os métodos. Usa-se pó de café bastante grosso e adiciona‑se água quente. Este sistema é semelhante ao da cafeteira de êmbolo, mas sem a conveniência do êmbolo para separar o pó da infusão. Sua utilização hoje já não é grande, mas ele pode ser útil como recurso temporário.
ESPRESSO E CAPPUCCINO
Os métodos do espresso e do cappuccino, inventados na Itália, são hoje os que se difundem com maior rapidez. Todos os outros envolvem uma infusão “natural” e podem produzir uma bebida aceitável e de baixo custo. Isso não ocorre com o espresso. As máquinas de espresso forçam água quente através de pó muito fino compactado, depositando a bebida em xícaras individuais. Um bom espresso custa caro, pois, para extrair a maior quantidade de sabor do pó de café, precisa-se de alta pressão de água e de máquinas de alta especificação. Ao fazer o espresso, porém, é importante não extrair café demais – ou seja, é preciso desligar a máquina mais cedo em vez de mais tarde. O café está perfeito enquanto sua cor, ao sair da máquina, é marrom dourado. A “espuma” sobre o topo do café preto também é marrom dourada. Ela desaparece em alguns minutos, mas durante esses minutos, revela de forma inequívoca a qualidade do espresso. Espuma demasiado leve, espessa ou fina indica espresso de qualidade inferior. Para alguns, o espresso pode se tornar uma espécie de religião. E sem dúvida há uma grande diferença entre um bom espresso e outro não muito bom. Nosso estilo de vida e nossas escolhas individuais são o que determina quanto dinheiro ou energia gastamos na busca do melhor.
O espresso é a base do cappuccino. É o café no qual se despeja leite em espuma, numa estrutura luxuriante. Um bom espresso é menos óbvio sob essa coroa de espuma, mas a qualidade do café utilizado continua a ser um fator importante.
Despeja-se o leite – em condições ideais, semidesnatado – numa jarra, e nesta se introduz um bico de vapor. Não se deve ligar o vapor até que o bico esteja sob a superfície líquida. Quando o leite está gorgolejando e formando bolhas, deve-se movimentar a jarra em círculos, para que ele não se estrague. O propósito é aerar o leite, dando-lhe a consistência de creme chantilly sem queimá-lo. Ao despejar-se o leite, é essencial que as xícaras estejam quentes, do contrário a espuma perde corpo. Normalmente as xícaras são guardadas de boca para baixo sobre a máquina de espresso. A espuma de leite quente construída com vapor é então despejada e arranjada na xícara, suavemente, para formar a coroa. Pequenas quantidades de leite que sobraram também são acrescentadas. Com isso se obtém um cappuccino perfeito.
A MOKA NAPOLITANA
Não há lares na Itália que não possuam uma ou mais cafeteiras moka de tamanhos variados. O visual dessas cafeteiras duplas de topo de fogão é inegavelmente atraente, seja qual for a opinião que se tem do café. Seu design é maravilhoso, e elas produzem café que combina as características do espresso e do café de percolador, forçando a água que ferve no compartimento de baixo a subir por um tubo. A água então desce, passando por café de moagem fina. Utilizadas com perícia, essas cafeteiras em menos de um minuto produzem um café muito aceitável, semelhante ao espresso, que pode matar a vontade de tomar café.
O PERCOLADOR
O percolador de café exerceu uma influência civilizadora no oeste selvagem dos EUA. Usado em todo o país, ele foi uma presença constante na maioria dos lares até a recente 'revolução’ do café. O percolador aquece café moído grosso e água fria, fazendo-os ferver e borbulhar no topo da unidade. Esta é uma ótima maneira de se descontrair, ouvindo o café borbulhar e sentir seu aroma delicioso perfumando a casa inteira! Talvez não haja melhor maneira de fazer café para tomar na hora!
CAFÉ SOLÚVEL OU INSTANTÂNEO
O primeiro café solúvel "instantâneo" foi inventado em 1901 pelo químico nipo-americano Satori Kato, de Chicago, mas o primeiro solúvel só foi colocado no mercado em 1938, com o lançamento do Nescafé. A qualidade e diversidade do café instantâneo aumentaram exponencialmente ao longo dos anos, e os produtos de hoje podem nos oferecer uma boa bebida. O café instantâneo tem diversas vantagens em relação ao feito na hora, entre as quais sua facilidade e conveniência. Ele se mantém fresco mais tempo e seu sabor não se altera com facilidade, por mais que se tente. Acima de tudo, ele é rápido, barato e limpo. Como qualquer outro tipo de café, o café instantâneo é fabricado a partir do café em grão. Numa primeira etapa, prepara-se um concentrado de café do qual a água é removida por aquecimento, atomização ou liofilização, para produzir pó ou grânulos solúveis. As essências do café podem perder-se na desidratação, mas são captadas e devolvidas ao café processado.
CAFÉS COM SABORES
Uma área interessante e de crescimento rápido do mercado é a dos cafés com adição de sabor. Hoje há mais de 100 diferentes variedades com sabores. Os conhecedores de café podem reprovar a idéia de estragar o sabor de uma bebida para eles sagrada, mas não há dúvida de que, em certos momentos, a adição de chocolate ou canela é o que se deve fazer. O gosto do café é maravilhoso sozinho, mas pode também servir de base para muitos outros sabores. Na verdade, a adição de sabores é um truque antigo. No Oriente Médio, é tradicional pôr cardamomo no café, enquanto que no México o uso de canela no café é bastante comum há muitos anos.
O aumento da popularidade dos cafés com sabores é prova da versatilidade e robustez do café. Sabores são adicionados diretamente aos grãos durante a torra e, depois aplicados ao café pela pulverização de um veículo oleoso e um sabor específico. A adição de um xarope ao café que se acaba de fazer é outro modo de conseguir uma xícara de café com sabor, que pode ser uma bebida ideal para o verão, quando servido frio ou gelado, com pedras de gelo ou gelo esmagado. O leite é, de longe, o mais importante sabor que se adiciona ao café no mundo todo. Ele não é usado no café árabe e os puristas tendem a não usá-lo, mas a maioria das pessoas acha que o leite torna o café mais saboroso.

