Que é café descafeinado?
Pela legislação da UE, café
descafeinado é café com um teor de cafeína reduzido para 0,1% ou menos nos grãos
de café torrado, e para 0,3% ou menos no café instantâneo/solúvel.
O café descafeinado é uma opção disponível aos
consumidores que desejam saborear o gosto e o aroma do café sem experimentar os
ligeiros efeitos estimulantes da cafeína.
Qualidade de xícara do café
descafeinado
Na xícara, a qualidade do café descafeinado é
totalmente comparável à do café comum.
Na verdade, todas as numerosas variedades e origens de café conservam
suas propriedades específicas de sabor.
Processos de descafeinação
Os grãos de café verde são
submetidos a processos de descafeinação em unidades industriais.
Há quatro métodos de descafeinação, de acordo
com a substância utilizada para extrair a cafeína: água; acetato de etila;
CO2 supercrítico ou líquido; e cloreto de metileno.
Estes
quatro métodos de processamento compartilham as etapas básicas:
- Intumescência
dos grãos de café verde em água ou vapor para disponibilização da cafeína para
extração
- Extração da
cafeína dos grãos
- Remoção a
vapor de todos os resíduos de solventes dos grãos (quando aplicados) /
regeneração dos adsorventes (quando aplicados)
- Secagem dos
grãos de café descafeinado, que recuperam seu teor normal de umidade
·
A fase da
extração da cafeína, sob controle rigoroso de condições do processo como
temperatura, pressão e tempo, baseia-se nos mecanismos da fase de transferência
física. Devido à diferença de
concentração, a cafeína se transfere, por difusão, da estrutura celular para o
solvente que circunda o grão até o ponto em que a concentração de cafeína é a
mesma dentro e fora do grão.
Métodos de descafeinação
O que realmente distingue os quatro
métodos é a escolha da substância usada para a extração:
- Método
hídrico: Quando o café verde é imerso em água, a
cafeína que ele contém dissolve-se e é removida, mas com isso pode-se perder
grande parte do caráter aromático do café.
Para superar este problema, o líquido é saturado com os componentes
hidrossolúveis do café. Em seguida,
a cafeína é removida da solução pelo uso de carbono ativado ou outros
adsorventes, que a retêm, e depois disso o extrato já sem a cafeína pode ser
reciclado.
- Método do
acetato de etila: O acetato de etila (AE) ocorre em
diversos produtos naturais e contribui para o aroma característico de muitas
frutas. Também é encontrado, em
diversas concentrações, nos alimentos, entre os quais o café verde e o
torrado. No processo de
descafeinação, usa-se uma mistura de água e acetato de etila. No recipiente utilizado para a extração,
faz-se o AE circular em volta dos grãos embebidos em água para extrair a
cafeína. Deixa-se então escorrer do
recipiente a mistura de água, acetato de etila e cafeína. Esta fase é repetida várias vezes, até
que o teor residual de cafeína tenha alcançado ou esteja abaixo do nível máximo
permitido por lei de 0,1%.
- Método do
dióxido de carbono supercrítico e método do dióxido de carbono
líquido: O CO2 é uma substância de
grande pureza, que se encontra de imediato no ar que respiramos e nas borbulhas
da água que tomamos.
Em certas
condições, ele permite uma extração seletiva de cafeína, deixando a maior parte
dos demais componentes do grão inalterados.
O uso do dióxido de carbono em seu estado supercrítico (entre seus estados líquido e gasoso) requer pressão muito alta – até 250 atmosferas. Produção em larga escala é necessária para que este método seja economicamente viável.
Na extração de cafeína também se pode usar CO2 líquido, que requer pressões e temperaturas mais baixas, mas exige mais tempo para executar a extração. - Método do
cloreto de metileno (i.
e.
diclorometano-DCM): O DCM extrai a cafeína seletivamente e
tem um ponto de fervura baixo. No
recipiente utilizado, faz-se o diclorometano circular em volta dos grãos
embebidos em água para extrair a cafeína.
Deixa-se então escorrer do recipiente
a mistura de DCM e cafeína. Esta
fase é repetida várias vezes, até que o teor residual de cafeína tenha alcançado
ou esteja abaixo do nível máximo permitido por lei de 0,1%. O processo atém-se a garantias de que os
possíveis resíduos do solvente estão abaixo dos limites fixados pela legislação
européia.
